sexta-feira, julho 12, 2013

Meia Maratona da Cidade do Rio de Janeiro / Parte II - O dia, a corrida!!!

(metros finais da meia  maratona do Rio de Janeiro)

Acordamos ou melhor dizendo madrugamos às 3:50. Havíamos combinado de estar na lanchonete da esquina do hostel às 4:30 para tomar café. Infelizmente ao solicitar meu misto quente para a atendente, o BALEIAL passou a MIL, disseram que não haveria tempo e queriam pegar o primeiro ônibus para a largada. Sai voando, larguei 1 litro e meio de água na lanchonete, assim como o misto quente esta lá me esperando até hoje. E sem pagar... risos!!! Que calote Dart!!!

Preocupadíssima como sou, ainda mais com alimentação pré prova, comecei a enviar mensagens pedindo que alguém levasse algo salgado para eu comer. O que de fato não ocorreu, já que, alguns também já estavam na rua.

A solução foi ao encontrar alguém de Salvador na fila dos ônibus perguntar, na cara dura, se tinha algo para comer. Nesta o Sérgio e a Chris da Família Botelho me salvaram com uma banana. Esperava eu, mais adiante conseguir mais alguma coisa com outras pessoas. Sem sucesso, ao chegar na largada, com mais de 40 minutos de antecedência sai em busca de barraquinhas abertas. Só encontrando empada, daquelas recheadas com catupiri e frango, eu comprei uma e retirei apenas a tampa de cima pequenininha, comi e joguei o resto no lixo. Comendo apenas a parte de cima eu teria, apesar de não muito, colocado pelo menos algo salgado no estômago.

Costumo ter a taxa de sódio e pressão baixos, por isso não podia dá mole com o sal. De fato precisava, nem que fosse pouco, de sal.

Uma banana, este salgado mínimo e um chá matte... lá estava eu na largada rezando para que conseguisse sobreviver com isto no estômago. Não me sentia cheia e ainda pior pela primeira vez tive de usar aqueles banheiros horrendos de corrida. Pois ehhh!! desconhecia a mim mesma naquela corrida. Eu estava de fato extrapolando e passando por cima de muita coisa que não faço aqui em Salvador. Ficar sem comer, e ainda (licença) fazer n. 2 em um banheiro horrível. Segurei o nariz e me segurei para que não acontecesse o pior. Ecaaaa.... estaria eu pagando todos os pecados para correr esta prova?? Depois de tudo?? Nunca foi tão difícil.

Mas lá no fundo, naquela multidão de corredores meu pensamento era.... Se é para ir, que então assim seja e que eu faça bonito - consiga completar em menos tempo que o ano passado. Para completar a prova eu tinha em mãos apenas um sachê de carboidrato, se não fosse o Ênio me salvar na noite anterior. Etaaa amigo que ajuda a gente. Um amor de pessoa, Ênio consegue ser demais. Um cara maravilhoso!!! difícil explicar, mas o Japa é demais. Que não fiquem com ciúmes os demais homens BALEIAS. Gosto de todos. Mas Ênio, é Ênio.


Decidi então que focaria como havia prometido em 2012, apesar de ter descido do ônibus ainda com Ezilda e o Waldeci no momento em que fui procurar algo para comer, eu me desliguei deles. Sendo assim sozinha optei por sair bem próxima ao pórtico.

Estava eu ali, mais uma vez pensando: meu Deus o que a gente não faz por corrida. Refletia sobre tudo que tinha sucedido nos dias anteriores, as dificuldades com a falta de treino, com o chegar ao Rio de Janeiro e naquela mesma hora em que eu amarrava meu tênis e me aproximava ainda mais do pórtico eu dizia: se estou aqui farei esta corrida valer.

Se eu disser que aproveitei a beleza do Rio no momento em que estava correndo, estarei mentindo. No momento da corrida meu foco era por ultrapassar quem estava na minha frente - já que sai muito na frente. Tinha gente demais ao meu lado, bem como aproveitei para me atentar o tempo todo aos postos de Gatorade, água e no momento em que deram fruta. Isso devido a não estar bem alimentada. Não deixei um posto passar em vão, peguei todos, e até mesmo no momento da fruta peguei quase que uma tangerina inteira. Ao mesmo tempo revezei esta hidratação com os géis de carboidrato. O que seria de mim se não tivesse isso??

Mas de fato eu sei que nada disso foi o que me salvou, e sim a alimentação errada do dia anterior. Quando no almoço comemos picanha, gordura, e a noite talharim. Ahhh ai sim eu digo foi um ERRO que veio para BEM. Sem aquela alimentação malfeita eu teria ficado pelo meio do caminho. Estar mal alimentada no dia da corrida seria o pior dos piores erros, e muito perigoso.

By Alexandre Huang (assessor da Marathon Club - SSA)

Como eu estava me sentindo bem, segui num pace massa, até eu mesma me desconhecia. Em Salvador eu costumo me poupar por receio com o calor, como alguns já sabem esta é minha queixa principal e não minto. Minha batata ferve e meu corpo esquenta muito, por isso aqui em SSA sou muito cautelosa.

No Rio este ano a temperatura não só estava muito agradável como cheguei até a sentir frio. Claro que para os paulistas eles achavam quente. Mas para uma baiana acostumada com o sol tinindo, 19 a 24 graus era frio e foi fichinha.

No momento da corrida encontrei diversas pessoas de Salvador, na qual até pude compartilhar alguns quilômetros de corrida juntos – um destes foi o Thomas Kupfer. Muito legal. Pena que a corrida acaba tão rápido. (Será que já tô pronta para outras distâncias?? eis a questão)

Subida da Niemeyer

Ao terminar e olhar o relógio não acreditei, havia batido meu recorde pessoal, mesmo sem a alimentação adequada. Embora o percurso tivesse se prolongado um pouco mais, sendo marcado pelo Garmin como 21.53km, eu havia completado a prova com 2horas 03min e 59 seg, tempo registrado idêntico ao oficial e arbitrado pela organizadora. Diga se não é uma organizadora LINDA!




Ahhh eu não podia ser mais feliz que o momento que olhei para o relógio. Já estava ali doida para prometer de novo. Massssss, pensando bem – na Copa, preferi ser cautelosa e decidi não fazer isso. Mas a vontade era de quem sabe prometer uma maratona. Cadê as más companhias???

Passei direto para a sessão de massagem enquanto sabia que meus amigos ainda estavam pelo meio do percurs, mas logo em seguida fui para o ponto de encontro – Boteco Belmonte, onde encontrei a Elis (aquela moça linda), a Sheyla, Zilda e por ai também fui reencontrando alguns amigos de Salvador. Enquanto isso o Belmonte lotado.

BALEIAS ancorados no Belmonte

Corredores de Salvador no Rio de Janeiro

... Até que a Cida me chamou para assistir a chegada da maratona. Não resisti e fui ver os BALEIAS chegarem.

Ai gente, quer saber momento de emoção??? Se você gosta de corrida, é claro. Experimenta assistir a chegada de uma maratona. É demais.... muita emoção. Até hoje tô rouca de gritar “bora amigo, desisti não. Corrige a postura, vamos faltam 100metros”.

Nossa tinha momentos que dava vontade de invadir a grade e levar a pessoa no colo. Dava uma dor no coração. A pessoa faltando 500 / 100m e aqueles metros finais parecerem 10km. Quantos não pararam na nossa frente mancando, ou com câimbra. Isto quando não estava desabando em lágrimas.

Eu sei, é difícil para quem não vive a corrida me entender. Eu sei por que passo por isso em casa, e quando digo “Mãe vou correr uma maratona”, ela não tem noção do que seja isso. E logo repudie dizendo que quer me ver correndo a maratona no livro. Simplesmente correr é PAIXÃO. Eu amo correr, eu amo vivenciar isso. Ver alguém sofrendo por corrida, não é algo ao meu e ao nosso olhar ruim como o de quem não gosta. A gente não julga, por que também somos LOUCOS por este esporte, por que sabemos o que é chegar ao pórtico, o que é nos desafiar e o que seja esta paixão que move nossa vida.

Quando eu choro ao ver uma criancinha tentando carregar o pai, que mesmo exausto tenta se arrastar até o pórtico e dizer: Filho eu consegui!!!!!!, é por que sei a dedicação que este precisou ter e o quanto estes metros finais são difíceis. Como é para quem está começando nos 5km, nos 10km, 21k e por ai vai.


E é por isso que eu digo, a maratona ela virá, ela pode demorar, mas ela também chegará para mim. Quando eu amadurecer mais, ela virá e eu sei que derramarei estas mesmas lágrimas de emoção, por que só de pensar eu já começo a chorar. Eu vivo, eu AMO correr, e só peço nada mais que compreensão aos que não vivenciam isso e não nos curte!!! Ou se cansam da gente só falar de corrida. Hoje eu sei, me controlo mais.

Eu apoiando Ênio nos metros finais....  teve jeito não, invadi a grade mesmo (e dái??)


A Maratona do RIO mais uma vez foi maravilhosa. A organizadora Spiridon é demais. Não temos nem um “aizinho” a se queixar. Sinceramente procuro um defeito, mas não consigo encontrar. Nada, nadinha, os caras fazem por amor, acredito que eles sim, de fato nos compreendem.

Aproveitando o finzinho da postagem, não posso deixar de agradecer a algumas pessoas que de certa forma me ajudaram a correr melhor. Meus professores de faculdade; meu amor - que mesmo sem viajar ficava daqui na torcida, sem ele Dart não seria nada. Se é que por trás de um grande homem sempre tem uma grande mulher, por trás de Dart também tem um homenzinho maravilhoso!!! Que assina embaixo dos meus desafios e doidices, me apoia, até mesmo tendo de treinar junto. Eu sei que judio dele!!! e sou bem chatinha. Mas é assim mesmo, o que seria da gente sem o AMOR!!! Ahhh também devo aos meus pais e as minhas famílias, de sangue e  BALEIAS!!!!!! 

5 comentários:

Sidnei Barbosa disse...

Show Dart!

Sidnei Barbosa disse...

Show Dart!

pelvo11 disse...

Muito legal os teus relatos sobre a Maratona do Rio, desde a sua saída da bela Salvador até o encerramento do evento. Rico em emoção e detalhes...meus parabéns amiga!

Rebeca Peleteiro disse...

Minha amiga... Que aventura... Estava ansiosa para ler. Fiquei muito feliz com o seu resultado. Parabéns! Parabéns!

Essa corrida realmente parece ser maravilhosa.

tutta disse...

Sensacional Dart. Parabéns pelo recorde pessoal e pelo belo e emocionante relato.

Beijo enorme e boas corridas por aí.


tutta/Baleias-PR
www.correndocorridas.blogspot.com.br