segunda-feira, dezembro 19, 2011

Entrevista nº 7 - Fábio Namiuti


Antes de findar o ano não posso deixar de fazer a entrevista de dezembro e trazê-los mais um corredor. Este foi o primeiro corredor que entrevistei sem conhecer pessoalmente. No entanto que já conheço via redes sociais e blog há um bom tempo - Por sinal já me tirou de muitos sufocos!!!Ele sabe disso! Como já deixei expresso em entrevistas anteriores trago para este blog pessoas as quais admiro e este não poderia ser diferente. Escolho Namiuti por admirar sua história.  Conheçam um pouco mais deste cara:


 
Nome – Fábio Namiuti

Idade – 40, Mas bem melhor hoje que aos 30, em todos os sentidos,
O que faz? – Além de correr? Vendo livros (sou o autor novato de “Melhor que o caminho é o caminhar”), assino o site pessoal Arquivo de Corridas de Fábio Namiuti e, quando sobra tempo, trabalho como analista programador.
Há quanto tempo corre? – Oito anos de corrida, seis e meio de corridas oficiais.
Equipe – 100 Juízo, os malucos do asfalto. Agora também na Bahia!
Onde mora – São José dos Campos, São Paulo.
De onde é - Idem




Como surgiu a corrida em sua vida?

Ressurgiu... Pratiquei vários esportes quando criança e adolescente: futebol, basquete, handebol, vôlei e também o atletismo. Nunca tive habilidades especiais para nenhuma modalidade, mas sempre curti muito praticar todas elas. Gostava mais de distâncias curtas, provas de pista. Numa corrida de revezamento 4 x 100 metros no longínquo ano de 1987, ganhei a primeira medalha como corredor. Ficaria, depois disso, 15 anos totalmente parado: sedentário, viciado em cigarro, muito trabalho e quase nenhum lazer, péssima alimentação e muitos quilos a mais... Até descobrir que isso tudo havia me deixado doente, vítima de um mal comum, silencioso e traiçoeiro: a hipertensão arterial. O susto foi grande, mas a mudança de vida também. Parei de fumar, mudei hábitos alimentares e, principalmente, redescobri a atividade física. Primeiro, as caminhadas. Que não demorariam a se transformar em corridas. E mudariam a minha vida para sempre.

Qual a sua maior realização frente a este esporte?

São muitas as realizações nesses oito anos de corrida. Mas nenhuma delas se compara à recuperação da minha saúde. Perdi trinta quilos, remodelei meu corpo, ganhei disposição, energia e qualidade de vida. Sem falar nos inúmeros amigos que fiz pelo caminho e das muitas histórias boas que contei e sigo contando, através do meu site Arquivo de Corridas de Fábio Namiuti (http://www.fabionamiuti.hd1.com.br).

A corrida atrapalha ou influencia sua vida? O que ela muda em você?

A corrida hoje é o meu estilo de vida. Não atrapalha em nada, muito pelo contrário. Costumo dizer que ela me fez uma pessoa melhor. Não melhor que ninguém, por simplesmente praticá-la. Mas muito melhor do que eu era antes dela.

Quais são seus horários de treinamento e em média quantos quilômetros costuma fazer por dia?

Tenho o hábito de treinar no final da tarde, após o horário de trabalho, aproveitando para zerar, no final do dia, o ponteiro do “estressômetro”. Meus treinamentos são muito variados: faço tanto treinos regenerativos com quarenta minutos de duração apenas e em “ritmo de passeio”; quanto longões de 32 km ou mais, dependendo da prova-alvo para a qual esteja me preparando.

Você faz alongamentos antes da corrida? Ou pratica outra atividade para ajudar na sua perfomance?


Faço alongamentos, mas não necessariamente antes ou depois da corrida. Acredito que a flexibilidade é uma das características que ajudam não só na corrida, mas na vida como um todo. Alguém que deseja estar em forma pode não conseguir abaixar para pegar um objeto que cai no chão ou se esticar para pegar algo na prateleira mais alta do supermercado? Outro aspecto que considero fundamental é a força e resistência muscular. Muita gente me pergunta como é que eu estou correndo direto há tanto tempo, praticamente sem nenhuma lesão mais séria... É só ir lá ver o trabalho duro que eu faço, duas vezes por semana, na academia. Musculação não é só hipertrofia, ficar “bombado”. É equilibrar a briga contra a inevitável passagem do tempo.

No dia anterior a corrida como costuma ficar?

Hoje em dia, com quase duzentas corridas no currículo, bem mais tranquilo. Já fui muito ansioso, do tipo que passava noite em claro na véspera de uma prova importante. Aprendi a administrar bem isso. Mas adoro aquela boa ansiedade, aquele friozinho na barriga que deixa a gente mais ligado, focado no que deseja fazer. No dia em que não sentir mais esse frisson, acho que está na hora de procurar outra coisa para fazer.

Dentro deste esporte qual foi o fato mais engraçado que já enfrentou?

Muitos. Daria até um livro. Aliás, até já deu! Um capítulo inteiro dele, pelo menos. Foram tombos, escorregões, pés na lama, encontros e diálogos com personagens inusitados (bebuns, normalmente), “propostas indecentes” (hoje em dia não adianta mais, “tô” casado!), troféus que escaparam das mãos por pouco, lugares muito estranhos para correr... Até uma corrida que terminou, ao invés de um pórtico, no balcão de um bar, veja só... As pessoas que só correm provas chiques devem ficar horrorizadas com a simplicidade das corridas que eu já encarei. E adoro! Para mim, correr é bom em qualquer lugar, seja o mais sofisticado ou o mais “franciscano”.

Quais as dificuldades que você enfrenta? (Pode ser na vida ou dentro do próprio esporte).

Apesar de ter perdido peso (e ganhado saúde), continuo não sendo um atleta típico, com porte de corredor, o famoso “canela seca”. Muito pelo contrário, aliás. Praticar corrida é contrariar o meu biótipo, algo que faço com dificuldade e esforço. Se fico uma semana sem treinar, meu condicionamento cai a zero (e a balança acusa!). Mas é aquela tal história: dizem os cientistas especializados que o besouro, pelas leis da aerodinâmica, simplesmente não poderia voar. Mas é teimoso, vai lá e voa do mesmo jeito. Ou será que não contaram isso para ele?

Qual foi sua maior prova?

Em distância? Em número de participantes? Em emoção? Bom, tenho sete maratonas, cinco delas concluídas, duas em que não foi possível chegar até o final, mas que me trouxeram muito aprendizado, de qualquer maneira. Algumas provas de 25 a 31 km, dezoito meias maratonas, corridas de montanha, de praia, em trilhas, em escadaria de prédio... São muitas as corridas, todas elas muito importantes no “conjunto da obra”. A maior e melhor é sempre a que está por vir.


Caso tivesse que dar alguma dica para um sedentário que esta começando a correr, o que você falaria?

Corra com prazer e responsabilidade, respeitando o seu corpo, cuidando-se bem sempre. Não vá naquela onda de “a dor é temporária, desistir é para sempre”. Desistir pode ser temporário, corrida tem toda semana (ou ano). A dor de ficar sem correr é que pode ser para sempre, ou pelo menos parecer que é. Suba um degrau de cada vez, não queira entrar para a galeria da fama do atletismo logo de cara. Procure seu próprio caminho, aquele que te dá satisfação. Não queira correr uma maratona só porque aquele seu amigo de infância pelo qual ninguém dava nada conseguiu. Mas, se quiser encarar um grande desafio, seja qual for a distância dele, prepare-se bem. A corrida é um esporte onde mesmo pessoas comuns, com saúde, vontade, disciplina e determinação, podem fazer coisas extraordinárias.

Por fim deseja nos dizer mais alguma coisa?

Claro! Conheçam mais sobre esse corredor teimosão, cabeça-dura, que transformou a sua vida através do esporte e adora contar as suas histórias e fazer amigos, no livro “Melhor que o caminho é o caminhar”, que acabo de publicar. Ele está no site http://fabionamiuti.loja2.com.br/. Abraços a todos!

6 comentários:

Jorge disse...

E para fechar com chave de ouro Dart muito merecido este post que vc fez com o grande fominha Fábio Namiuti, conheci ele aqui no Rio na Maratona do Rio em 2008, e já corri algumas corridas com ele em SP o cara é fera, no blog dele ele detalha tudinho se passar uma vovó lá no fundo da corrida ele lembra...kkkk...O Fábio é o cara...Parabéns Namiuti pela superação de vida continue focado...Obrigado Dart por divulgar para nós.

Boas festas e que Deus te abençoe!

Jorge Cerqueira
www.jmaratona.com

Tiago Salles - 100Juízo - BA disse...

Show de Bola... como sempre o Fábio demonstrando humildade e muita garra... é UM GUERREIRO!

Parabéns Fábio, Parabéns Dart!

Antonio C R Colucci disse...

Muito legal Dart!!!
Eu li o livro, muito bom.
Mudança radical de vida!
Parabéns namiuti
Beijos e Abraços
Colucci
@antoniocolucci

CORREDOR DA TERCEIRA IDADE disse...

Parabéns Dart pela escolha do entrevistado. O Fábio Namiuti é "o cara". Sua história de vida é extraordinária. Gostei muito. Um abraço para ambos.

Fábio Namiuti disse...

Obrigado, Dart, pela oportunidade e aos amigos Jorge, Colucci, Tiago e José Amâncio pelos comentários. Abraços!

Meire/BH-MG disse...

Hei Dart,

Parabéns pela entrevista. Li o livro e gostei muito... Recomendo... Quando é que vem a BH novamente????

Bjks em vc e ao Lucas...

Meire/BH-MG