quarta-feira, novembro 21, 2007

O triste fim da ocupação de estudantes na UFBA

Caros leitores, queria ter me expressado sobre o acontecido na UFBA no último dia 15 de novembro um pouco antes, porém por falta de tempo não pude....estou falando com relação ao trágico fim da ocupação da reitoria por estudantes que reivindicavam o REUNI.
Foi muito estranho acordar e pegar um jornal em que a capa principal era a foto de um colega preso, alguns até fizeram comentários, "mas Dart este não é seu colega? oxe, olha com quem você anda se relacionando", mas eu sabia do que se tratava e tentei explica-los. Muitas vezes a mídia coloca o que quer, assim como nosso caro reitor fala o que quer, e muitos acreditam. Por isso, navegando sempre nas listas de DCE, chapas e tal, decidi pedir permissao a um dos colegas que foi preso para colocar um dos textos que ele escreveu na lista, acho que assim tudo pode ficar mais claro. A autoria do texto é de Gabriel Oliveira, um dos que foi capa do jornal. AÍ vai...


Quem tem medo do Marechal Naomar?

Quatro estudantes presos, muitos agredidos, mais ainda revoltados e revoltadas.
Esse foi o saldo da não tão sábia decisão da reitoria da UFBA em autorizar a Polícia Federal a invadir seu Palácio para, à base de força, spray de pimenta e algemas, expulsar estudantes que há quase dois meses tentam negociar uma pauta de reivindicações justa e objetiva.
Depois de 46 dias de ocupação do prédio da Reitoria, a atual Administração Central da UFBA acaba de entrar para a História de nossa universidade. Para a obscura História do autoritarismo.
Depois de ficar um dia sob a custódia da Polícia Federal junto com mais três colegas, fiquei a imaginar o quanto companheiros e companheiras de um breve passado militar sofreram pela insistência na construção de uma outra sociedade.
Foram poucas horas, mas foram algemas, camburão e metralhadoras. O tempo nesse momento parou. Ali não éramos estudantes, não éramos militantes, não tínhamos causa. Nada importava a não ser o fato de estarmos dentro de um carro escuro e obrigados a agüentar todos os comentários truculentos da Polícia que nos identificavam como, no mínimo, “vagabundos”.
Éramos “vagabundos”. Dignos e dignas de metralhadoras armadas, de mãos algemadas e fichas na Polícia Federal. Éramos “vagabundos”, e agora somos criminosos.
A Reitoria da UFBA, numa atitude tristemente cínica, passou quase dois meses apresentando a opinião de que não tínhamos pauta e de que nunca foi de nosso interesse negociar. E mesmo quando o processo de negociação começou, as declarações que a Administração dava à mídia era a de que sempre desconheceram nossas reivindicações.
O curioso é que Naomar Almeida nunca apareceu em nossa frente. Depois de tentar dissolver o Conselho Universitário no último dia 19 de novembro e de tentar convencer a toda Universidade que desta ele fazia o que quisesse, o Reitor sumiu. Como de costume, suas palavras são apenas conhecidas nos jornais e noticiários.
A Administração mente desavergonhadamente quando diz que nunca soube o que queremos. Ao invés do diálogo, Naomar escolheu a tática de mandar seus porta-vozes irem para a imprensa cumprir o papel patético de falar mal de nosso movimento, sem nunca se referir a nossa pauta.
Durante todo o processo a Reitoria teve dois caminhos para resolver a ocupação da Reitoria. Um era sentar realmente para negociar as nossas reivindicações; o outro era tratar a nossa mobilização como caso de Justiça e de Polícia.
O fato de Naomar ter optado pelo segundo caminho nos leva a duas conclusões importantes para compreender como se dará o processo de mobilização daqui para frente.
A primeira conclusão é que a capacidade dirigente de nosso Reitorado está em xeque. Existem três categorias organizadas na universidade. Através de suas entidades, elas precisam ser ouvidas e consideradas enquanto categorias políticas que possuem demandas específicas a serem negociadas e atendidas.
E, é claro, a função de “ouvir”, “considerar’, “negociar” e “atender” é toda da Administração Central.
Desde que nossa mobilização teve início, nós nunca fomos “considerados” e muito menos “atendidos”. Pelo contrário. Enquanto estávamos na Reitoria, Naomar viajou e autorizou a força militar nos expulsar do prédio.
Medo e autoritarismo são características que se combinam apenas em péssimos dirigentes.
A segunda conclusão fundamental é que a partir de agora não teremos dúvida. A Reitoria trata a nós e a nossa pauta como caso de Polícia. E criminosos e criminosas, nós não somos.
Logo, criminosa é a Administração. Criminoso e incapaz é Naomar Almeida Filho.
O Reitor criou uma crise institucional na UFBA.
Metade do Conselho Universitário de nossa universidade deslegitima a decisão tomada por Naomar no dia 19 de outubro. E sem dúvidas repudia a criminalização de estudantes que há dois meses apresentam exigências que sequer foram recebidas pela Reitoria.
No episódio de ontem, Naomar conseguiu piorar o impasse político-institucion al que vive a UFBA. Antes de a Polícia espancar e prender estudantes, muitos colegas técnico-administrati vos e professores já considerava descabida e autoritária a postura unilateral como a Administração vinha conduzindo as discussões sobre o REUNI e a UniNova na universidade.
Agora ele conseguiu reunir, além de membros da comunidade universitária, lideranças políticas e intelectuais que nesse momento denunciam para o conjunto da opinião pública os constantes arbitrarismos dentro da Universidade capitaneadas pelo mesmo Reitorado que pousa de democrático na mídia.
No episódio de ontem o presidente estadual e a presidente municipal do PT, Marcelino Galo e Martha Rodrigues, o Deputado Estadual Yulo Oiticica, o Deputado Federal Nelson Pelegrino, assim como dirigentes de outros partidos de esquerda como PSOL e PSTU, lideranças do MST, intelectuais da universidade, do movimento negro, dos movimentos de luta pela moradia, além de inúmeros advogados, todos e todas vieram à reitoria e estiveram conosco na Superintendência da Polícia Federal para convencer a Administração Central da UFBA que no Movimento Estudantil não há bandidos e que o Diretório Central de Estudantes da UFBA não está só.
Nunca tivemos a intenção de convencer a Reitoria de nossa opinião política, sobretudo àquela de sermos contra o REUNI. Temos o direito à divergência. Mas não iremos tolerar nenhuma decisão que ameace a democracia na UFBA. E agora o Reitor passou dos limites.
Spray de pimenta nos olhos de quem sabe que em sua história a nossa universidade apenas duas vezes havia sido invadida pela Polícia: uma na Ditadura Militar, outra na Ditadura de ACM.
Gritos de revolta de estudantes, professores e funcionários que agora têm plena noção de que a UFBA não está segura.
Lágrimas de choro de pais e mães que nunca imaginaram ver seus filhos e filhas serem espancados e dentro de um camburão na capa do jornal do dia seguinte.
Algemas nas mãos de estudantes que nunca se sentirão suficientemente presos para lutar por uma universidade democrática e popular, e por uma outra sociedade. Sem ditadores.
Esse foi o saldo da não tão sábia decisão da Reitoria.
Era quinze de novembro.
E no dia da República, o Marechal Naomar proclamou a Ditadura na UFBA.

Gabriel Oliveira
Coord. Geral do DCE UFBA
Conselheiro Universitário

sexta-feira, novembro 09, 2007

Minha apresentação no SEMPPG/SEMEP

Esta foi minha apresentação, fruto da pesquisa Pibic 2006-2007, "Educação, Mídias e software livre: um estudo do estado da arte das políticas públicas". Vocês também podem visualizar o projeto na página do GEC-Grupo de Pesquisa Educação, comunicação e tecnologias. http://www.gec.faced.ufba.br/twiki/bin/view/GEC/ProjetoPibic20062007




terça-feira, novembro 06, 2007

VIII Seminário de Pesquisa e Pós-Graduação (VIII SEMPPG) XXVI Seminário Estudantil de Pesquisa (XXVI SEMEP)


Entre os dias 7,8 e 9 de novembro estará acontecendo o XXVI Seminário Estudantil de Pesquisa e o XXVI SEMEP. Eu, a panelinha - (Sule, Darlene, Adriana) e Fabrício assim como outros estudantes de graduação, mestrado e doutorado do GEC - Grupo de Pesquisa em Educação, Comunicação e Tecnologia estaremos apresentando nossas pesquisas concluidas em 2007. O evento será transmitido pela Rádio Faced - www.radio.faced.ufba.br . Entre, escute, participe!!!!!!

Confira a programação do SEMPPG/SEMEP - http://www.semppg.ufba.br/